Os Apelidos de Pompéu – parte IV

Publicado por Sebastião Verly 26 de fevereiro de 2025
Pompéu antiga

Pompéu antiga

Continuação da parte III: https://www.metro.org.br/sebastiao/os-apelidos-de-pompeu-parte-iii/

Encaixo aqui o caso de redutivos dos nomes como foi o caso do Armando Nunes de Castro que era apenas o Dico do Celso.

E vale lembrar o saudoso e simpático comerciante da Volta do Brejo, Pedro Alves dos Santos, o nosso Piduca, com as filhas Glorinha, Sãozinha e Lolô, todas com dotes artísticos, dos filhos só o Francisco é tratado de Chiquinho, os outros são tratados pelos nomes de registro. E, por acréscimo, lembrar o sogro do Piduca, o Tio Nezinho, Manoel Alves Maria, várias vezes eleito vereador e Juiz de Paz na cidade, ele fabricava uma saborosa geleia de mocotó branca, tradição mantida até hoje por sua neta Ana Maria. Ele tinha por obsessão perseguir os contraventores do jogo do bicho na cidade. Geraldo, filho do Nezinho e Anália, tinha apelido de Chumbinho.

Ao lembrar do Piduca nos remete a outro, o Pedro Morato de Menezes, famoso Piduca de Buritizal que deixa os filhos, Galdino, Zé do Piduca e Neném do Piduca, além do Pedro do Piduca que partiu mais cedo.

Rico e famoso, João Serra Machado, num primeiro casamento foi pai do Cota e do Zé Serra, este pai do Sô Lucas que foi motorista de taxi na cidade. João Serra casou-se pela segunda vez com a Quinota e era pai do Baninho,  do Nenzinho e de uma filha que casou-se com o Zezé do Aprígio.

Vale lembrar o Tõezinho da Lapa e seus familiares Pedro Lino e Nô Lino, este sogro do Tõezinho. Das 4 filhas creio que só a Maria Luiza teve apelido, era chamada de Du. O filho Paulo casou-se com uma neta do Juca Rufino, chamada Cleide, filha da Lidoneta que era conhecida como Doneta.

Na linha dos redutivos temos apelidos como de Lilico, como o Sebastião Afonso da Silva, o de seu Irmão Inácio Afonso da Silva, como Quito, um verdadeiro artífice da marcenaria, e grande sábio nas horas livres, o Francisco Mendes Moreira, o Quito da Sá Ritinha, o Francisco de Oliveira Campos Filho, o Quito do Bahia, e também o Quito Itapecerica, assim conhecido por todos.

E lembra o próprio Francisco de Oliveira Campos, o Bahia.

O Pedro Cândido Nolasco, solucionador de problemas técnicos, mecânico mais querido da cidade e talvez do mundo, era injustamente conhecido como Pedro Cachaça, sendo que desde há muitos anos era um abstêmio convicto. Seu irmão, o Antônio ou Totonho Capoeira ficou conhecido como Socapó, uma vaga alusão ao fato de dirigir, desde as jardineiras aos ônibus de Pompéu a Belo Horizonte, em estradas de terra que levantavam a poeira por onde passavam, e ainda, o José seu irmão e auxiliar na oficina mecânica que era conhecido simplesmente como Mandioca. Para completar a família dos descendentes do Sinhô Capoeira, tinha a linda Modestina Conceição, conhecida com Çãozinha e só a Luzia não tinha apelido. Inclui-se nesta família a Crioula, esposa do Totonho e a Du esposa do Pedro.

Alguns apelidos como o Joaquim Noé e o Geraldo do Acácio, desapareceram com o tempo e outros tornaram o tratamento natural e normal da pessoa. Como o Inácio que começou como trocador do ônibus, conhecido como Tico, e ficou, para sempre, Tico. Pouco conhecidos eram o Derico da Fiuca, e seus irmãos o Neco, o Neném e a irmã Luca.

Os chimangos, desde pai do Zé, do Antônio, do Gustavo e do Pedro eram, quando ausentes, tratados como chimangos ou equivalente: Zé Mico, Antônio Chimango, por exemplo.

O José Alves de Souza 1 era o Zé Calhau, padeiro mais famoso na década de 1940/50, o Zé Teima, também José Alves de Souza 2, muito comunicativo, com sua inseparável bicicleta, era o artesão que criava estofados cobertos de legítimo couro de boi,

No ramo da Padaria tínhamos o Ju Padeiro, o Zezé da Salvina.

O Raimundinho Chapéu de Pau, morava no Bicame e ficou famoso por criar um chapéu feito de pau.

Algumas pessoas não aceitavam de jeito nenhum seus apelidos, embora fossem amplamente conhecidos assim pela cidade: era o caso do Zé Roscão, famoso pipoqueiro, pai do Nenem Rosquinha, que aceitava muito bem o apelido. Também o Joaquim Espeto não atendia com prazer este tratamento.

Engraçado é o Zé Meu Genro que era o sogro quem não aceitava este tratamento para o marido de sua filha.

Imagine chamar o Gilberto Cordeiro de Jirimia Côco: jamais! Poderia ocasionar um óbito por assassinato! Ou chamar algum descendente da Joana Sanfona pelo singular apelido de instrumento musical!

Duas famílias que não sorriam ao serem tratados pelos apelidos eram os Toureiros (Sinhô, Zé, Tião, João) e os Barrãos, pois, o interessante é que eram vizinhos e chegavam a brigar. Certa, vez uma de suas brigas ocorreu no fim de ano e virou matéria do “Pasquim”, uma espécie de jornalzinho que pessoas habilidosas faziam copiando com 8 carbonos em folhas de papel  almaço: “No dia do ano bão, houve um pega-mão: o garrote (referia-se ao Toureiro), bateu no Barrão; e um outro “Pasquim” contestava: “No dia do ano bão houve um esparramo-te (palavra inventada): o Barrão bateu no garrote”. O açougueiro e excelente goleiro do CAP, Zezé Martins, foi o último Zé Barrão.

Um que era apenas mencionado nas conversas pelo apelido, mas que era tratado com todo respeito pelo nome legal, era o Pedro Fogo, tratado pessoalmente como Pedro de Freitas Maciel.

O Zezé Tampinha, famoso alfaiate, era conhecido pela família e pelos amigos como Zezé da Nicota, referência à senhora sua mãe.

Na Zona Boêmia, havia além da Ção Tomba Homem, a Benedita Peixe, a Nair Meia Quarta, o Roquinho Muié e a Analu, uma espécie de Dona Beja, que deu um upgrade no setor em Pompéu, sua casa de mulheres tinha telefone e era conhecida com “A Lua”. Há mais tempo, passou pela prostituição também a Sinhana Bambu.

Interessante é o tratamento do rico João Manoel, cujo nome de registro era João Joaquim dos Santos e, mais interessante ainda, é que os filhos eram tratados por Lino do João Manoel, Vino do João Manoel, Zico do João Manoel, Geraldo do João Manoel, Zizinho do João Manoel, Ninica do João Manoel. Havia mais uma filha, a esposa do Roque, também tratada como filha do João Manoel.  O Lino Soares dos Santos, o Lino do João Manoel, era tratado como Major Lino. Na realidade essa família que já teve muitas terras no passado ficou conhecida como família dos Manés.

Continua na parte V

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